terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Dica de Leitura - A Cabana

Passei o Natal em casa!
Não tive uma ceia na virada do dia 24 para 25, como é costume dos Brasileiros. Ao contrário da maioria das famílias eu estava na rodovia, voltando para casa depois de passar um dia com a minha filha em Jacareí.
Então, pela madrugada assisti um filme, comi maionese (era o que tinha na geladeira), e acordei tarde.
Dia 25 em casa... nenhum lugar pra sair, nenhum amigo pra visitar... 
Podia ficar ouvindo música, quem sabe FM, mas estou meio zangado com a Nova Brasil FM (a propósito, estava!). Como nada deu certo, um livro me pareceu uma boa pedida para a tarde.


A Cabana de William P. Young, Ed SEXTANTE, foi uma indicação do Ricardo Costa, professor no Seminário Presbiteriano do Sul (em Campinas), onde faço Teologia.
O convite do autor do livro é descobrir como seria um encontro com o próprio Deus em uma cabana?
Diante dessa pergunta, me senti desafiado a invadir as 236 páginas do livro, onde destaco algumas coisinhas.


O primeiro deles é negativo, já vi outras obras desse autor e ele não é muito diferente na redação do livro A Cabana, às vezes prolixo, o assunto fica enrolado no meio de muitos sinônimos, e a vontade é de esganar o autor pra ver se ele termina o parágrafo, por exemplo, tentando criar paralelos para explicar uma fumaça que ele diz ser “uma fumaça preguiçosa... como se fosse...”, como se fosse o que? Uma fumaça é uma fumaça! Machado de Assis “surtaria” com certeza, porém o que é empolgante nesse livro não está na redação, por isso, a leitura vale a pena, mesmo que seja em alguns momentos cansativa.

Um segundo fator, e agora muito positivo, é que todo o enredo do livro está envolvido pelo contexto complicado da vida da personagem principal, Mack, que se complica ainda mais com histórias trágicas do seu passado. A questão principal esta na pergunta que ronda os pensamentos de Mack “como confiar e amar um Deus que permite tantas tragédias na minha vida? Será que Ele me ama?”. Durante a minha travessia na leitura desse livro esta se tornou a minha pergunta, primeiramente sobre o próprio Mack, “será que Deus o ama?”, depois sobre mim mesmo “Afinal de contas, será que Deus me ama?”.

Terceiro, tenha paciência na sua leitura, conheça bem os detalhes sobre a vida de Mack, pois a grande façanha do autor está registrada da metade do livro pra frente, onde se concentra o clímax desse romance que durará até os capítulos finais. Nesse ponto Young narra o encontro de Mack com Deus, e para isso ele personificou Deus da maneira mais simples possível, transformando a figura da Trindade em personagens tão próximas e palpáveis quanto o seu colega de trabalho, vizinho, parentes, etc. Alguém com quem Mack se sente livre para experimentar todos os sentimentos naturais do homem, como a raiva, o ódio, o arrependimento, a insegurança, o amor e a saudade. Mais maravilhoso ainda é o fato de que é exatamente assim que deveríamos nos comportar diante de Deus, com toda essa liberdade que Mack experimenta na Cabana. 

Como afinal Young apresentou Deus, como Deus reage às exclamações de Mack, e se Deus o ama? Como esse amor pode ser percebido? Essas respostas estão todas nesse belíssimo romance que eu recomendo. 

Quanto a mim, o Natal passou, dia 25 acabou e o livro também. Após muitas lágrimas resolvi experimentar um pouco do que Mack experimentou na Cabana, e a minha oração atravessou a margem cotidiana dos velhos monólogos para um bate-papo constante, simples e sincero, como deve ser um bom e agradável diálogo entre pai e filho. 

Boa leitura


@SandroValerius

6 comentários:

Luciana Rodrigues disse...

Li A cabana num momento em que estava frágil, e a leitura veio como um bálsamo. Ao mesmo tempo em que refleti sobre o amor gigante de Papai por mim, entendi melhor o perdão, o que na época era quase impossível pra mim.
Mudei depois desta leitura e pra melhor, porque é assim que deve ser quando internalizamos lições refletidas e vivenciadas.
Recomendo também, Sandro!

Sandro Valérius disse...

Faz tempo que escrevi esse post, e mais uma vez me emocionei!

Obrigado pelo carinho pessoal!

Toni-Toni disse...

Este livro definitivamente não é recomendado para um cristão...

Sandro Valérius disse...

Acredito que Cristãos podem ler livros de qualquer natureza e não ser influenciados! Mas no livro A Cabana, não vi nada além de uma forma transparente de se ver o relacionamento entre Deus e o homem! Respeito sua opinião Toni, mas discordo dela!

Valéria disse...

Sandro,
Pense bem a respeito, e não só, não recomende, como tb, NÃO ENTRE nessa cabana...Dentre outros erros, ele prega um deus imanente.. O meu Deus não é imanente..Ele é o criador de todas as coisa, segundo sua Palavra, mas Ele não está nelas. Pense...Graça e Paz!

Sandro Valérius disse...

Obrigado por seu comentário Valéria! Mas sinceramente, apesar de encontrar erros teológicos nesse livro, ainda não vejo dificuldades de perceber o relacionamento simples entre o homem e Deus nesse livro!
Agora, sei que nosso Deus é trancendente, mas ele também é imanente, afinal de contas, creio em um Deus que se fez carne e habitou entre nós!
O fato de Cristo ter imanado não o limitou como Deus, Efésios disse que ele optou por não ser como Deus, mas ele subiu ao céus, e levou consigo a sua forma imanente, a sua forma física!
Eu não vejo em nenhuma parte do livro Deus não sendo onipotente, onipresente, ou criador!
Minha questão não é defender o livro, assim como tantos outros, o livro tem questões boas e outras que não merecem tanta consideração, mas não deixa de ser uma boa leitura!

Agora, não recomendar uma boa leitura por achar que ela pode denegrir um pensamento de um cristão, não me faz repensar a leitura, mas o cristão!