terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sozinho, inteiro e feliz

Existem algumas coisas que não gosto de fazer sozinho, como almoçar fora, fazer um lanche, tomar um café, para todas essas coisas gosto de ter companhias. Mas uma coisa que absolutamente nunca fiz sozinho foi ir ao cinema. Poderia fazer uma lista imensa de filmes que assisti e outra das companhias que tive ao vê-los. Quando penso em sair para assistir a um bom filme, encontro alguém a fim de me acompanhar. Já sei pra quem eu ligo se o filme for aventura ou suspense, comédia ou drama. O fato é que nunca gostei da idéia de ir ao cinema sozinho.

Nos evangelhos percebemos que quase sempre Jesus está rodeado de amigos. Jesus Cristo é Deus, Criador, o Alfa e o Omega, mas habitando nessa terra ele não escolheu ser diferente de nenhum de nós, teve as mesmas dificuldades, os mesmos medos e tentações. Ele também teve necessidade de ter amigos. Certa vez quando Jesus passava por um momento de grande aflição chamou Pedro, Tiago e João, seus amigos mais próximos para estarem com ele, para apenas acompanhá-lo. Mas num outro momento, o mesmo Jesus resolve estar distante de todos para ter um tempo sozinho.

A solidão não é um problema em si mesma, todos nós carecemos de um tempo para nós mesmos. Um momento de reflexão, um momento de contemplação.

Como teólogo, ainda em formação, tenho inserido na minha caminhada momentos de solitude, que tem sido uma experiência melhor que a outra, momentos de contemplação, silêncio, meditação, momentos para ouvir Deus. Mas resolvi ir além. Achei que era hora experimentar fazer mais coisas sozinho, tomar um café, dar uma volta no parque, ou encarar o que nunca tinha feito antes, ir ao cinema sozinho.

Estava observando os horários e os filmes, havia tantas opções e somente eu para opinar, então escolhi um desenho animado. O Shopping estava lotado, mas eu havia chegado uma hora antes da sessão. Comprei pipoca, coca-cola, observei as pessoas caminhando, comi pipoca, cumprimentei e troquei algumas palavras com as moças que trabalham no cinema, e comi um pouco mais de pipoca. Quando entrei na sala, olhei para um monte de lugares vagos, e escolhi com certa liberdade onde sentar. Fiquei ali pensando, olhando as pessoas chegando, procurando lugares, comi pipocas, bebi minha coca e deixei o tempo passar.

Quando o filme começou, ri à vontade, olhei as coisas engraçadas que sempre gostei de observar, não tinha ninguém pra incomodar dizendo "você viu?", mas não tinha importância, estava feliz por ter percebido os detalhes, as piadas, cenas, falas, coisas que sempre chamam minha atenção.
Jesus não tinha dificuldade com a solidão, porque ele não dependia das pessoas para saber quem ele era, Jesus tinha certeza da sua identidade. No início do seu ministério, quando foi batizado, ele ouviu do próprio Pai as palavras "você é meu filho amado, em quem tenho todo o prazer".

É muito bom e saudável ter companhia para todas as coisas, e sempre que eu puder, estarei acompanhado, rodeado de amigos. Mas percebi que assim como Jesus, não são minhas companhias que dizem quem eu sou (contrariando o velho ditado), por isso posso ter bons momentos, mesmo sozinho. Seja vendo um bom filme, tomando café, passeando pelo shopping, ou qualquer outra coisa, eu sei exatamente quem eu sou, o filho amado em quem Deus tem todo o prazer.


@SandroValerius