segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Decepcionados com Deus

Você pode pensar que a Bíblia apenas conta histórias maravilhosas, onde homens e mulheres são sempre heróis e tudo sempre dá certo, mas não é verdade!



Nem todas as histórias são simples e tranquilas.

São Lucas escreve em seu relato sobre o Evangelho de Jesus a história de dois homens que após a sua crucificação ficaram tão tristes e tão decepcionados que resolveram voltar pra casa, abandonando tudo pelo qual haviam sonhado ao lado dos demais discípulos de Jesus Cristo!

Eles conheciam Jesus como um profeta poderoso em palavras, obras, um Messias enviado por Deus que libertaria sua terra dos domínios do Império Romano. Mas Jesus morreu e eles estavam tão decepcionados que não acreditaram que ele havia ressuscitado. 

Essa maravilhosa história nos diz que Jesus Cristo, que não foi reconhecido, caminhou ao lado deles como um estranho e perguntou sobre toda essa decepção, e depois explicou que o Messias, o enviado de Deus, deveria mesmo sofrer e através dos textos bíblicos mostrou que não só sofreria e seria humilhado, mas para a nossa salvação ele também ressuscitaria. No final da caminhada, Jesus ficou em suas casas até que depois de partir o pão, desapareceu.

Nesse caminho da decepção Jesus se aproximou e caminhou com eles, ouviu suas dúvidas e lamentos, trouxe um aprendizado novo e por fim permaneceu com eles em sua casa. 

Eles estavam decepcionados porque esperavam de Jesus Cristo o que Jesus Cristo nunca disse que faria, isso acontece ainda hoje, muitos de nós nos decepcionamos com Deus. A pergunta é, nos decepcionamos porque Deus pisou na bola ou porque criamos uma expectativa que ele nunca se comprometeu a cumprir?

Eu aposto na segunda opção!

Porém, a dor continua, e o que podemos fazer?
Quem de nós não faz planos?
Namoramos, casamos, compramos carros, viajamos, fazemos faculdade, prestamos concursos, entramos em cursos e em relacionamentos o tempo todo criando expectativas e muitas vezes, cobrando de Deus essas expectativas. E quando tudo dá errado, ficamos decepcionados!

Nesse caminho de decepção quero convidá-lo a crer que você não caminha sozinho, pois Jesus Cristo continua caminhando ao seu lado, mesmo quando você se sente decepcionado. Ele quer ouvir suas queixas e o motivo das suas decepções. Se estiver realmente disposto se prepare para aprender uma linda lição para a sua vida, e para a vida daqueles que estão à sua volta!

É importante saber que a decepção não pressupõe o fim da história, pois a caminhada chegará ao fim e você perceberá que estará muito mais íntimo daquele que é o autor da vida, que morreu e ressuscitou para que eu e você pudéssemos estar à mesa com ele, numa comunhão constante.

Deus o abençoe


@SandroValerius

Essa reflexão faz parte de uma série de mensagens sobre a Decepção. E quero convidá-lo a ouvir toda a mensagem clicando no vídeo abaixo.

Você pode encontrar a história dos dois discípulos que voltavam para suas casas no evangelho de Lucas, capítulo 24, versículos de 13 a35.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Suprema Felicidade existe de Fato

Ontem fui ao cinema para ver o filme "A Suprema Felicidade" de Arnaldo Jabor, que depois de quase duas décadas voltou ao cinema. Jabor nos apresenta as histórias e descobertas de um garoto, num Rio de Janeiro nostálgico e histórias típicas de cineastas brasileiros, carregada de cenas violentas (em poucas partes do filme), sexo (em boa parte do filme) e palavrões (bom... deixa quieto!). 
O  filme gira em torno de Pedrinho, com seus pais amantes e briguentos, avós felizes e perturbados, mas rodeado de amigos e oportunidades para a bebida, o sexo, brigas que aparecem durante todo o filme. Arnaldo insere muitas outras cenas caricatas, muitos casos estranhos e alguns até exagerados que fogem do centro da história, mas estão ligados à personagem central. Jabor é Jabor, vai tentar explicar?

Mesmo assim é um filme divertido, interessante!

Mas, por fim, a mensagem do filme é que a Suprema Felicidade, não existe! Buscamos, tentamos, vasculhamos e nunca a encontraremos. O seu Noel, avô do Pedrinho, comenta que não é feliz, no máximo alegre, mas um dia esperando o bonde na Lapa, sentiu uma profunda felicidade que durou alguns minutos e passou.

Certa vez eu estava com um grupo de repórteres entrevistando o cantor Toquinho, e eu perguntei se ele era feliz, e não me esqueci da resposta (nem poderia, está gravada) “Não há como ser completamente feliz, estou feliz por uma notícia boa na família, mas voltando pra casa vejo crianças no semáforo pedindo dinheiro, como posso ser feliz vendo cenas assim?”. Acho que o Toquinho concorda com o Jabor.

Então, vasculhando a minha mente, minhas leituras, meus próprios posts neste blog, me lembrei de mais alguém que fala, não apenas sobre a felicidade, mas sobre uma satisfação completa, plena e eterna.
Agostinho, no primeiro século, olhando para (talvez) as mesmas coisas que o Jabor e o Toquinho, chegou a conclusão de que as cidades são decadentes, a vida era degradante e o ser humano não tinha mesmo jeito.
Mas Agostinho dizia que existe um lugar próximo, presente em cada um de nós, onde a realidade é outra, e Agostinho chama esse lugar de “A Cidade de Deus”. Na Cidade de Deus, não importa como você seja, não importa a sua história, nela você pode ser pleno e nela a alegria é verdadeira, suprema, completa e eterna. A Cidade de Deus não fica longe, a Cidade de Deus existe onde você está, aliás, dentro de você mesmo, e para chegar até ela, existe um único caminho, Jesus Cristo.

"[...] Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim"
Evangelho de João 14.6

Eu sei! Se o Arnaldo Jabor ler o que estou escrevendo vai dizer “esse Sandro é um alienado”, é Arnaldo, e quem de nós não é?
Afinal de contas, um pai de família (pai do Pedrinho) que vive sua felicidade suprema trancando a esposa em casa, e pagando prostitutas para vê-las tirando a roupa não é alienado?
Um pipoqueiro que é feliz contanto histórias sobre aventuras sexuais, que ele provavelmente nunca viveu, fazendo trocadilhos de duplo sentido com os garotos na rua, não é alienado?
O seu Noel, uma pessoa sábia e divertida, mas que sente apenas alegria no saudosismo que tem pela Lapa e seus carnavais, não é alienado?
Conhecer e viver a presença infinita de um Deus amoroso que pode, apesar de todos os desafios, desencontros e desprazeres da vida, me fazer supremamente feliz, você pode até chamar de alienação, mas precisa experimentar para saber se estou errado.

“Fizeste-nos, Senhor, para ti,
e o nosso coração anda inquieto
enquanto não descansar em ti”
Santo Agostinho

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Solidão


Eu sempre comento que precisamos aprender a ter momentos de solitude, momentos à sós para refletirmos, para curtirmos a nós mesmos. Mas e quando a solidão não é uma escolha? E quando, pelo contrário, é uma condição e nos sentimos não apenas sozinhos, mas abandonados?



No filme "Harry e Sally, Feitos um para o outro", Harry diz certa vez para Sally uma frase que nunca me esqueci

“quando estamos sozinhos,
a multidão à nossa volta,
não passa de estátuas
e seus rostos
uma galeria de imagens”



Às vezes a solidão nos pega de surpresa, e quando isso acontece o que podemos fazer? 

Me lembrei então de um e-mail, ops, carta,  que o apóstolo Paulo mandou para o seu amigo Timóteo. Paulo comenta na carta que estava sozinho, e que muita gente o havia abandonado e não apareceram nem mesmo para o defender no seu julgamento, tanto que estava preso em Roma, num calabouço frio, úmido e sem luz.

Nesses momentos de solidão, é importante procurar por amigos e é isso que Paulo faz, ele escreve para Timóteo, fala de outros amigos de quem ele tem saudades e pede a Timóteo para vir logo ao seu encontro! Mas Paulo vai além, em certo momento dessa carta, Paulo comenta que, mesmo com todas as dificuldades o Senhor (Jesus Cristo) permaneceu ao seu lado e lhe deu forças.

A solidão também me pega de surpresa e a minha receita tem sido esta, a mesma de Paulo, eu procuro pelos meus amigos, não me permito ficar sozinho, mas principalmente compartilho e busco a presença de Jesus Cristo na minha vida, que sempre me dá forças para atravessar os momentos de solidão.


Como diria os compositores Carlos Colla e Chico Roque na voz da Sandra de Sá


Solidão,
dá um tempo e vá saindo,
de repente eu tô sentindo,
que você vai se dar mal.


@SandroValerius


(Você poderá ler a história de Paulo na segunda carta de Paulo a Timóteo, no início do primeiro capitulo e no quarto capítulo)