terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Suprema Felicidade existe de Fato

Ontem fui ao cinema para ver o filme "A Suprema Felicidade" de Arnaldo Jabor, que depois de quase duas décadas voltou ao cinema. Jabor nos apresenta as histórias e descobertas de um garoto, num Rio de Janeiro nostálgico e histórias típicas de cineastas brasileiros, carregada de cenas violentas (em poucas partes do filme), sexo (em boa parte do filme) e palavrões (bom... deixa quieto!). 
O  filme gira em torno de Pedrinho, com seus pais amantes e briguentos, avós felizes e perturbados, mas rodeado de amigos e oportunidades para a bebida, o sexo, brigas que aparecem durante todo o filme. Arnaldo insere muitas outras cenas caricatas, muitos casos estranhos e alguns até exagerados que fogem do centro da história, mas estão ligados à personagem central. Jabor é Jabor, vai tentar explicar?

Mesmo assim é um filme divertido, interessante!

Mas, por fim, a mensagem do filme é que a Suprema Felicidade, não existe! Buscamos, tentamos, vasculhamos e nunca a encontraremos. O seu Noel, avô do Pedrinho, comenta que não é feliz, no máximo alegre, mas um dia esperando o bonde na Lapa, sentiu uma profunda felicidade que durou alguns minutos e passou.

Certa vez eu estava com um grupo de repórteres entrevistando o cantor Toquinho, e eu perguntei se ele era feliz, e não me esqueci da resposta (nem poderia, está gravada) “Não há como ser completamente feliz, estou feliz por uma notícia boa na família, mas voltando pra casa vejo crianças no semáforo pedindo dinheiro, como posso ser feliz vendo cenas assim?”. Acho que o Toquinho concorda com o Jabor.

Então, vasculhando a minha mente, minhas leituras, meus próprios posts neste blog, me lembrei de mais alguém que fala, não apenas sobre a felicidade, mas sobre uma satisfação completa, plena e eterna.
Agostinho, no primeiro século, olhando para (talvez) as mesmas coisas que o Jabor e o Toquinho, chegou a conclusão de que as cidades são decadentes, a vida era degradante e o ser humano não tinha mesmo jeito.
Mas Agostinho dizia que existe um lugar próximo, presente em cada um de nós, onde a realidade é outra, e Agostinho chama esse lugar de “A Cidade de Deus”. Na Cidade de Deus, não importa como você seja, não importa a sua história, nela você pode ser pleno e nela a alegria é verdadeira, suprema, completa e eterna. A Cidade de Deus não fica longe, a Cidade de Deus existe onde você está, aliás, dentro de você mesmo, e para chegar até ela, existe um único caminho, Jesus Cristo.

"[...] Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim"
Evangelho de João 14.6

Eu sei! Se o Arnaldo Jabor ler o que estou escrevendo vai dizer “esse Sandro é um alienado”, é Arnaldo, e quem de nós não é?
Afinal de contas, um pai de família (pai do Pedrinho) que vive sua felicidade suprema trancando a esposa em casa, e pagando prostitutas para vê-las tirando a roupa não é alienado?
Um pipoqueiro que é feliz contanto histórias sobre aventuras sexuais, que ele provavelmente nunca viveu, fazendo trocadilhos de duplo sentido com os garotos na rua, não é alienado?
O seu Noel, uma pessoa sábia e divertida, mas que sente apenas alegria no saudosismo que tem pela Lapa e seus carnavais, não é alienado?
Conhecer e viver a presença infinita de um Deus amoroso que pode, apesar de todos os desafios, desencontros e desprazeres da vida, me fazer supremamente feliz, você pode até chamar de alienação, mas precisa experimentar para saber se estou errado.

“Fizeste-nos, Senhor, para ti,
e o nosso coração anda inquieto
enquanto não descansar em ti”
Santo Agostinho

6 comentários:

LILAY.SACHECOLLOR disse...

Olá Sandro, maravilhosa sua exposição de suprema felicidade. Concordo em gênero, número e grau.
Quem sou eu: mais uma alienada que AMA E VIVE JESUS CRISTO!
Angela Londrina/pr (amiga da Margareth Watanabe)

Sandro Valérius disse...

Obrigado pelo carinho Angela!
Deus abençoe vc

Luciana Rodrigues disse...

Sei que domingo já fiz meu comentário sobre esse seu texto em tempo real, mas sinto-me impulsionada a deixá-lo aqui compartilhado com quem mais venha ser agraciado pela leitura do seu post.
Em muitas oportunidades sou acometida de uma felicidade indizível e que não tem necessariamente uma razão muito lógica de ser, contudo na maioria das vezes em que me sinto assim, extremamente feliz estou conversando com Deus ou lhe agradecendo por algo. Isso me acontece por exemplo enquanto caminho num parque aqui próximo, ou quando agradeço a Deus pela cama confortável em que durmo, por ter água encanada em casa, pra um banho gostoso no fim da tarde no calor, quando estou andando num sol escaldante e agradeço por ter duas pernas saudáveis, enfim, eu passaria horas enumerando os momentos em que experimento essa felicidade gratuita...
Quando lembro-me da cruz, quando penso que Jesus perdoou em mim o imperdoável, no quanto ele me ama especialmente, ah... nesses momentos a felicidade-gratidão leva-me às lágrimas.
E então me vem a mente o seguinte: "e isso é só o conheço! Essa alegria, essa felicidade será inimaginável quando eu deixar o meu corpo!"
Que felicidade por ser maior aqui na Terra que sabermos que essa felicidade intensa e completa nos espera?!

Beijos, Sandro, quanto mais o leio mais o admiro e respeito!
E tê-lo encontrado no mundo virtual é mais um dos motivos que tenho para agradecer a Deus, é benção, é felicidade! ;)

Anna disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Raquel disse...

Bom dia Sandro.
Roubei um tempo do meu tempo, pra ter tempo de ler oq vc tem escrito.
Nao sei se me julgo alienada, pelo contrario, sinto-me liberta justamente por causa dessa felicidade que vive dentro de mim. Esse lugar especial que dei a Jesus Cristo dentro do meu coraçao, livrou-me das lagrimas e das desgraças plantadas no mundo. Gostei muito do seu texto. Nao tenho parado para refletir em quanto a presença de Deus tem esse poder: transformar os lixos da vida em paz e serenidade quando o aceitamos em nossas vidas.
"Quando estamos cheios de bons pensamentos, parece- nos que o mundo está repleto de oportunidades"(Walter Grando).
Bjos

luzia camacho disse...

oi Sandro, é primeira vez que te escrevo, cheguei até vc pela Luciana que tbm encontrei através de outro amigo. Deus tem seus caminhos e não nos cabe entender, basta aceitar. Ler o que vcs escrevem me faz bem. Quando colocamos nossa vida nas mãos de Deus encontramos uma paz tão grande, que a consequência é a felicidade, podemos até continuar com os mesmos problemas mas sabemos que existe alguém por nós e por todos, que nos ama e está sempre cuidando do nosso caminho e de nossas vidas.
E uma segurança que acalenta, realmente alguns dirão que alienada mas nós sabemos o que é ter Jesus em nossas vidas o quanto é bom o que é chegar a tremer de felicidade.