terça-feira, 15 de abril de 2014

A Lua de Sangue e o Terrorismo Gospel

O fenômeno lunar
Essa semana começa o que os astrônomos chamam de tétrade, porque serão uma sequência de quatro eclipses lunares. Segundo Gustavo Rojas, astrofísico da Universidade Federal de São Carlos, a cor avermelhada da Lua acontece porque os raios de Sol que iluminam a lua são filtrados pela atmosfera da Terra, passando apenas as cores avermelhadas*.

No filme “Duas Vidas” (The Kid) pela Disney, o bem sucedido Russ, interpretado por Bruce Willis, é interrogado pelo seu “eu” do passado que quer saber por que a lua às vezes fica alaranjada, bem no final do filme quando os créditos estão para subir, explicam o fenômeno.

O fenômeno bíblico
Para muitos religiosos, como o pastor John C. Hagee, se trata de um aviso de Deus para nos lembrar sobre o fim dos tempos, usando uma passagem Bíblica que fala dos últimos dias, como a profecia de Joel 2.31 que diz “O sol se tornará em trevas, e a lua em sangue; antes que venha o grande e terrível dia do Senhor”. Essa profecia com certeza marca o fim dos tempos, e agora fica mais que interessante entender o que significa o “fim dos tempos”.
Quando de fato ele começou?
O apóstolo Pedro cita essa mesma passagem quando fala sobre os acontecimentos dos seus dias, Jesus crucificado e morto, depois ressuscitado e vivo, Jesus subindo entre às nuvens ao céu e por fim, a descida do Espírito Santo durante a celebração de Pentecostes**. Porque ele cita essa profecia do profeta Joel? Porque o fim dos tempos começou justamente quando Jesus subiu ao céu e quando o Espírito Santo desceu sobre os cristãos.
A profecia de Joel se cumpriu no primeiro século, Pedro falava dos seus dias!

O fenômeno “não estudei a Bíblia direito”
Fico preocupado quando maus teólogos, não entendem a Bíblia direito e usam textos como esse de Joel para começar um “terrorismo gospel” dizendo “olhem a lua vermelha, é a lua de sangue, cuidado o fim dos dias está chegando...” e com seu apelo melodramático e apocalíptico provocam lágrimas, desespero e preocupação “é o fim dos tempos, é o fim dos tempos”.

O que determina o “fim dos tempos” não é um evento lunar que aconteceu centenas de vezes nos últimos dois mil anos. Desde que Jesus ressuscitou e subiu aos céus, temos vivido o final dos tempos porque desde então, esperamos a sua volta.

Como diz um trecho da música do Resgate “pra todos os efeitos, eu vivo preparado e em paz, eu to esperando a sua volta”

** Você pode ler mais sobre esses eventos no livro dos Atos dos Apóstolos capítulos 1 e 2.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O poder educador do "não"

Estava na fila do supermercado, e na minha frente havia um casal com a filha dentro do carrinho, ela devia ter uns cinco anos.

De repente, ela chora pedindo batatinha, e a mãe toda desajeitada, se contorcendo, pede pro pai abrir o pacote, e ele diz “estamos evitando dar porcarias para ela, lembra?”, mas a mãe insiste. Ela continuava a se contorcer, estava escondendo um refrigerante e disse pro marido “lembro, o médico disse para não dar refrigerante pra ela, e não quero que ela veja, se não ela vai querer, então dá logo essa batata pra ela, porque batata o médico não proibiu!”.


O Salmo 127 afirma que “os filhos são a herança do Senhor” e continua dizendo que “são como flechas nas mãos do guerreiro”.

Flechas não dão em árvores, não prontas para o uso. Gosto da metáfora do salmista porque me faz pensar no trabalho que o pai e a mãe deve ter ao longo da vida para transformar seus filhos em boas flechas. Muitas vezes precisamos tencionar a madeira contra sua própria envergadura, para força-la a se endireitar. Se a madeira tivesse vida, choraria de dor, talvez espernearia, daria escândalo. Mas a verdade é que não há outro jeito de se ter uma boa flecha.

No entanto, como professor e pastor, vejo hoje em dia uma geração de mimados que não suportam um “não” porque seus pais tem medo dessa palavra, não endireitam a flecha, preferem se ausentar do problema, escondendo atrás de si, ou trocando de papeis, para que a escola, a babá, o médico, o professor diga os “nãos” que eles precisam para amadurecer.

Problemas! Eles não amadurecem assim! 

Logo será o chefe dizendo “não”, o instrutor da autoescola, depois a polícia, o juiz e o agente da condicional, e assim por diante.

A resposta para os pais que choram querendo um porquê, algumas vezes é simples apesar de raras exceções. 

Porque “não”

Sandro Valérius