segunda-feira, 7 de abril de 2014

O poder educador do "não"

Estava na fila do supermercado, e na minha frente havia um casal com a filha dentro do carrinho, ela devia ter uns cinco anos.

De repente, ela chora pedindo batatinha, e a mãe toda desajeitada, se contorcendo, pede pro pai abrir o pacote, e ele diz “estamos evitando dar porcarias para ela, lembra?”, mas a mãe insiste. Ela continuava a se contorcer, estava escondendo um refrigerante e disse pro marido “lembro, o médico disse para não dar refrigerante pra ela, e não quero que ela veja, se não ela vai querer, então dá logo essa batata pra ela, porque batata o médico não proibiu!”.


O Salmo 127 afirma que “os filhos são a herança do Senhor” e continua dizendo que “são como flechas nas mãos do guerreiro”.

Flechas não dão em árvores, não prontas para o uso. Gosto da metáfora do salmista porque me faz pensar no trabalho que o pai e a mãe deve ter ao longo da vida para transformar seus filhos em boas flechas. Muitas vezes precisamos tencionar a madeira contra sua própria envergadura, para força-la a se endireitar. Se a madeira tivesse vida, choraria de dor, talvez espernearia, daria escândalo. Mas a verdade é que não há outro jeito de se ter uma boa flecha.

No entanto, como professor e pastor, vejo hoje em dia uma geração de mimados que não suportam um “não” porque seus pais tem medo dessa palavra, não endireitam a flecha, preferem se ausentar do problema, escondendo atrás de si, ou trocando de papeis, para que a escola, a babá, o médico, o professor diga os “nãos” que eles precisam para amadurecer.

Problemas! Eles não amadurecem assim! 

Logo será o chefe dizendo “não”, o instrutor da autoescola, depois a polícia, o juiz e o agente da condicional, e assim por diante.

A resposta para os pais que choram querendo um porquê, algumas vezes é simples apesar de raras exceções. 

Porque “não”

Sandro Valérius

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